top of page
Buscar

Exame de sangue pode indicar sinais precoces de risco para câncer de pulmão

  • 30 de jul.
  • 2 min de leitura

Um estudo internacional liderado por Charles Swanton, do Francis Crick Institute, no Reino Unido, identificou uma assinatura de 14 proteínas no sangue capaz de indicar maior risco de câncer de pulmão até cinco anos antes do diagnóstico. A descoberta, publicada na revista científica Cell, foi realizada com auxílio de inteligência artificial a partir de amostras do Biobanco do Reino Unido, após a análise de quase 3 mil proteínas.


Embora ainda esteja em fase de validação, o achado pode abrir caminho para um futuro exame de sangue voltado à prevenção e ao rastreamento do câncer de pulmão. Quando associada a fatores como idade, histórico de tabagismo e presença de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), essa assinatura apresentou melhor capacidade de previsão do que modelos tradicionais de risco. O padrão também foi observado em diferentes populações, somando mais de 55 mil participantes, inclusive em grupos com presença de não fumantes.


A assinatura de 14 proteínas não detecta diretamente o tumor, mas indica processos que podem favorecer o desenvolvimento do câncer, como inflamação, reparo pulmonar e resposta a danos acumulados. O estudo reforça que o câncer de pulmão não depende apenas do tabagismo, mas também de fatores como poluição, genética, inflamações crônicas e da resposta individual de cada organismo.


Atualmente, o rastreamento do câncer de pulmão com tomografia de tórax de baixa dose é voltado principalmente para pessoas entre 50 e 80 anos com histórico importante de tabagismo. Apesar de relevante, esse critério pode deixar de fora outros grupos de risco, como não fumantes, pessoas expostas à poluição intensa ou aquelas que fumaram pouco. Se validada, a assinatura de 14 proteínas poderá ajudar a identificar quem se beneficiaria de uma investigação mais precoce, permitindo uma prevenção mais personalizada com base também em sinais biológicos detectáveis no sangue.


Apesar do potencial, o teste ainda não está disponível na rotina clínica e precisa passar por novas validações antes de ser utilizado como exame laboratorial. Além disso, um resultado associado a menor risco não significa ausência total de risco, e um exame futuro desse tipo jamais deve ser interpretado como autorização para fumar ou abandonar cuidados preventivos.


Até que novos exames sejam validados, a prevenção continua baseada em não fumar, evitar a fumaça do cigarro, reduzir a exposição a poluentes, investigar sintomas respiratórios persistentes e manter acompanhamento médico adequado. O câncer de pulmão tem maiores chances de tratamento quando identificado precocemente, e a ciência avança para que, no futuro, seja possível reconhecer riscos antes mesmo de o tumor aparecer.

 
 
 

Comentários


whatsapp-logo-1.png
bottom of page