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Cientistas da Suíça identificam primeiro biomarcador de ansiedade no sangue

  • 15 de abr.
  • 2 min de leitura



Um estudo publicado na revista Nature Communications por Nicolas Toni e Thomas Larrieu indica que a ansiedade pode estar associada a níveis elevados do lipídio LPA 16:0 no sangue. Esse lipídio parece interferir na neurogênese no hipocampo, oferecendo uma possível explicação biológica para a ansiedade e abrindo caminho para diagnósticos mais objetivos no futuro.

A neurogênese é um processo essencial para a plasticidade cerebral, permitindo que o cérebro se adapte, aprenda e se reorganize ao longo da vida. Quando esse mecanismo é afetado, pode aumentar a vulnerabilidade a transtornos como a depressão.

Atualmente, o diagnóstico da ansiedade depende principalmente de avaliações clínicas e questionários, que podem ser subjetivos. Nesse contexto, a identificação de biomarcadores no sangue, como o LPA 16:0, pode tornar a detecção mais objetiva, precoce e precisa.

Durante os experimentos, os pesquisadores observaram que diferentes amostras de sangue influenciam diretamente a atividade de células-tronco neurais, alterando a produção de novos neurônios e sugerindo a atuação de moléculas reguladoras, como a corticosterona. Em testes com animais, a injeção do LPA 16:0 aumentou a resistência ao estresse e reduziu comportamentos associados à depressão, reforçando a ligação entre ansiedade, estresse e depressão mediada pela neurogênese.

Os pesquisadores também destacam que bloquear receptores envolvidos nesse mecanismo pode ter potencial efeito antidepressivo no futuro, embora ainda sejam necessários estudos adicionais para avaliar segurança, toxicidade e viabilidade clínica.

A equipe do Hospital Universitário de Lausanne investiga há anos a neurogênese adulta no hipocampo. Observações microscópicas revelaram que as células-tronco neurais possuem estruturas semelhantes a “árvores”, cujos prolongamentos interagem tanto com sinapses quanto com vasos sanguíneos, sugerindo uma conexão direta entre o sistema circulatório e a atividade cerebral.

Esses achados reforçam uma mudança importante na neurociência contemporânea: a ideia de que fatores presentes no sangue podem influenciar diretamente a formação de neurônios e, consequentemente, o comportamento e a saúde mental. Se confirmados em estudos futuros, eles podem abrir caminho para diagnósticos e tratamentos mais precoces, objetivos e personalizados para transtornos psiquiátricos.


 
 
 

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